Fechamos o contrato de aluguel da casa nova ontem, e surpresa. A nova casa é bem menor.
Naquele momento me senti desesperada, como se eu tivesse sido corrompida e de alguma forma sabotada.
Digo sabotada porque a nova casa só tem um quarto, quarto este que vai ser muito bem dividido com minha mãe.
Mas parando pra pensar eu já dividia meu quarto nesta casa antiga. O quarto era dividido com minhas lembranças, minhas coisas...mesmo que aos olhos de qualquer um fossem elas insignificantes, cada centímetro daquele quarto guardava um pedacinho de mim. Pois bem, me vi tendo que encaixotar todas as minhas lembranças e o primeiro pensamento (concordo que um pouco -muito- egoista) de minha parte foi de literalmente lotar o novo 1/2 dormitório de coisas.
Voltei pra casa pensando nisto, no que ia ficar comigo.
E eu queria tudo, não estava disposta a jogar absolutamente NADA do que é meu no lixo.
Chegando em casa (e não sei ao certo se ainda posso chamá-la assim), resolvi "começar logo os trabalhos"...peguei umas 7 caixas e um pacote de sacos de lixo de não sei quantos litros. Fui, como um raio, pro meu quarto.
A idéia era simples, abre a caixa, coloca tudo que tem no quarto dentro da caixa. Escreve FRÁGIL. lacra a caixa. Próxima caixa.
Não foi o que eu fiz. comecei a perceber que realmente queria me livrar de algumas coisas. Comecei.
Tipo uma peneira do que era eu de verdade.
"Fim dos trabalhos"...o que restou..UMA unica caixa. uma caixa de coisas sem as quais eu não poderia viver sem.
Uma caixa de toda a minha vida.
Meus livros prediletos, minhas recordações mais importantes ...tudo em uma caixa.
Uma vida resumida em uma caixa.
Bateu novamente o desespero.
Como UMA caixa? como eu pude me livrar de todo o resto?
Foi quando eu percebi que já aprendi a me apegar a pessoas, nunca a recordações.
Recordações materiais são uma forma de lembrar-mos o que não queremos esquecer jamais, mas, como esqueceremos o que realmente foi especial.
Foi quando me surpeendi...tenho tantas recordações dentro de mim, boas os más, elas estão no meu coração. e de certa forma, se eu me livrei do material, é porque elas estão como tatuagens em mim.
Formaram o meu caráter, minha estrutura, cada uma delas é um pouco do que sou agora.
E finalmente, para lembrar-me delas, basta olhar para dentro de mim. Lá estão elas.
E quanto a caixa remanescente?
Aquela humilde caixa é como um resumo de tudo. é a "Claudia Gabriela" começando do zero.
São presentinhos de pessoas queridas. Lembranças de ex namorados. algumas fotos. Minha certidão de nascimento (rsrs) e alguns outros documentos.
Fiquei contente.
Afinal, se nada é pra sempre. aqui estou eu, a prova viva de que as coisas tem que mudar, e uma lembrança tem que dar espaço para outra lembrança. Assim, a roda gira.
Hoje de manhã acordei amsi animada...mais clean ! foi bom.
Produtiva então a noite passada !
E do quarto só ficou para fora a caixa com as coisas do meu namorado (aquele lindo!) e uma boneca que a minha vó me deu. Impossível guardá-la. nunca guardei, não iria ser dessa vez.
E no final. eu sou todas as lembranças que guardei, que joguei fora.
É tudo o que sou, e percebi que na realidade, não joguei nada fora então!
obs: postei sem corrigir, não queria dar espaço para qualquer mudança, não desta vez !
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